A emoção de um voo de acrobacia em avião da Segunda Guerra

Olá queridos internautas! Este texto é um tanto quanto antigo, mas nossa Redação publica novamente para mostrar que ainda existe amor nos esportes em ‘360 Graus”. Aos nossos grandes inspiradores de aventura – Carlos e Mônica Edo – segue aqui o nosso carinho e consideração. Obrigada pelas grandes alegrias que até hoje compartilham conosco! Vamos em frente pois a aventura sempre continua!

Mais um dia perfeito para aquele vôo de parapente. Explico: é que sou viciada em voo-livre e tento não perder um dia em que as condições de tempo estejam legais. O sol brilhando, vento noroeste e calmo. Mas, mudei novamente o rumo da aventura. Algo inacreditável, fascinante e emocionante que sempre quis fazer.

Imagine um avião antigo, robusto, fazendo cambalhotas, loopings, toneaux, parafusos no ar….

Hoje vou voar no AT6. Um clássico! O T6, é um caça norte-americano com motor radial que foi fabricado na década de 30 com o propósito de servir como treinador para as forças aéreas que lutaram contra o Eixo (Alemanha, Itália, Japão) na Segunda Guerra. Alguns também foram fabricados no Brasil, sob licença da empresa North American. Hoje, dos 150 que voavam na FAB (1973) apenas quatro AT-6 operam regularmente com prefixo civil. Outra história interessante destes aviões, é que a Esquadrilha da Fumaça também utilizava os AT-6 quando começou.

Pertencentes ao Circo Aéreo (ex-Ônix Jeans), os três caças voam escoltando o exuberante Beech-18 (bimotor lançador de paraquedistas), durante suas apresentações nos shows aéreos que fazem por todo o País.

Junto a um grande avião existe um grande piloto. O Comandante Carlos Edo carrega uma bagagem enorme de experiência, técnica e paixão pelo que faz. Edo é o cabeça da equipe e comanda 10 pára-quedistas, 4 pilotos e 2 técnicos de manutenção (que são os verdadeiros anjos da guarda da turma toda).

A experiência:

Chego no hangar do Circo Aéreo, no Aeroporto dos Amarais em Campinas – SP, por volta das 16:00 hs (horário escolhido pelo comandante por apresentar condições meteorológicas mais estáveis).

A máquina já estava estacionada no pátio. Fico imaginando quanta mudança de paisagem aquele avião deve ter sobrevoado. Afinal mais de 57 anos se passaram desde que foi fabricado.

Antes de sair voando fui convidada a fazer o briefing de vôo e assinar o termo de isenção de responsabilidade. O briefing serve para que eu saiba o que vai acontecer durante o vôo (principalmente os procedimentos de emergência) e o termo de responsabilidade é uma segurança jurídica para caso ocorra algo de ruim.

O Briefing:

O comandante repassa para a passageira (que só havia experimentado um voo panorâmico de Cessna) todos os problemas que podem ocorrer desde a decolagem até o pouso e como proceder em cada caso. Fogo no motor durante a partida (devo abandonar o avião e sair correndo).

Perder potência durante a decolagem (aguardar o avião parar).

Explosão de um pneu (o avião pode capotar e tenho que sair, lembrando que estarei de cabeça para baixo).

Panes durante voo em baixa altitude (tentará pouso forçado).

Panes durante voo em alta altitude (tendo altura suficiente e caso o avião esteja incontrolável, vamos ter que saltar de paraquedas).

Mais do que ficar assustada, na verdade me senti bastante consciente dos riscos e dos corretos procedimentos que teria que tomar em caso de pane. Isso realmente mostra a preocupação com a segurança e a experiência dessa grande equipe que conheci.

Entrando na aeronave:

A segunda parte das instruções foi conhecer um pouco mais da aeronave: o avião é exuberante, vermelho forte. A enorme hélice, toda cromada, mostra o cuidado com que essas máquinas são conservadas.

Na cabine existe lugar certo para se segurar durante o vôo e um detalhe interessante é a ausência do manche atrás (onde estarei sentada). Será que ele desconfia que eu tentaria pilotar o avião?

Edo repassa todas as instruções para o uso do pára-quedas redondo (que é bem diferente do que usei durante meu salto com a equipe Azul do Vento). Como é um avião de acrobacia, somos obrigados (ainda bem) a voar sentados e amarrados no pára-quedas. Caso precise utilizá-lo, é só saltar do avião e puxar a alça que fica bem embaixo do meu queixo.

Coloco o capacete com fone acoplado para comunicação com o piloto. Vamos poder conversar durante o vôo e dividir a experiência. Ao sentar, recebo mais algumas instruções e fecho a carlinga. Aperto o cinto e estamos prontos para mais uma aventura nos ares!

Assim que o Comandante liga o motor a sensação é magnífica. Meu coração parecia bater junto com as viradas das hélices. Checagem do motor na cabeceira da pista, análise das condições e estamos partindo para a decolagem.

O vôo:

Assim que levantamos vôo, o avião girou suavemente numa curva para a direita. Tudo muito tranqüilo. Subimos a 5000 mil pés e o comandante me informa o início das manobras.

Redução da potência do motor e despencamos para um primeiro looping e em seguida um toneaux. A sensação de liberdade e emoção ao mergulhar no ar dentro do caça é fenomenal. Assim que o avião retoma potência, ganhamos altura e novamente giramos um oito cubano, uma mistura de 1/2 looping com 1/2 toneaux e mais uma vez despencamos maravilhosamente no horizonte.

Quando voávamos invertidos, com a terra acima de minha cabeça, parecia que eu a estava olhando com uma lente grande angular. Vamos nós de novo para mais um looping*. Não existe friozinho no estômago – não dá tempo.

Quando achei que havia acabado, pois estávamos prestes a entrar para pouso, mais uma surpresa e alegria. Um vôo rasante passando a uns 5 metros do chão. Parecia que estávamos rasgando a terra bem aos nossos pés. Muito perto. Um Show!!! (imagino a adrenalina dos pilotos durante a guerra, em aviões como este).

Após quase 20 minutos de vôo, retornamos a pista para um pouso leve e tranqüilo.

O Comandante estaciona seu avião e o guarda com carinho no hangar. Ambos parecem estar conversando entre si, pois a ligação deles, apesar de imaginária, é visível.

Aventura – Jogos de Guerra

O circo aéreo oferece uma experiência inesquecível a quem quiser. São os “Jogos de Guerra”.

Esta é uma aventura clássica, onde duas aeronaves AT-6 simulam uma batalha aérea (e você vai de carona). Voando a 400km/h, um avião persegue o outro, e para isso, acabam fazendo as mais variadas manobras de acrobacia aérea. A sensação é de estar na segunda guerra, mas a emoção é real.

Patrocínio e oportunidade

O Circo Aéreo sempre esteve associado com a Ônix Jeans, mas no final de 98 a empresa mudou seus objetivos de marketing e deixou aberta uma oportunidade para novos parceiros.

Sendo uma das poucas equipes de acrobacia aérea do país, e a única equipada com estes clássicos aviões da II Guerra, não é de duvidar que fizeram mais de 400 shows durante os últimos onze anos.

Como estes eventos sempre atraem um público enorme, imagine a exposição que uma marca tem, caso esteja associada a esta famosa equipe.

Agradecimentos

Comandantes Carlos Edo e Mônica Edo

Bons voos a todos, de qualquer espécie de asa

E sempre a São Pedro que nos permitiu um dia maravilhoso…

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