Como é navegar numa L200 no Mitsubishi MotorSports

Uma grande aventura marcada para um dia que não prometia muito. Sábado nublado, frio… Eu também não iria voar de avião da II Guerra nem saltar de paraquedas, como das outras vezes. A aventura seria em terra firme. (bom, não muito firme) Participei da 6° e última Etapa do Rally de Regularidade Mitsubishi MotorSport 99. E acabei fazendo a navegação, orientando (pretensões à parte… risos) o piloto profissional Guilherme Spinelli (Campeão no Rally dos Sertões 99 cat. diesel). A prova aconteceu no dia 6/11, as 9:00 horas da manhã na Cervejaria Dado Bier, em São Paulo.

O que é um rally? Rally é uma prova de regularidade ou de velocidade em um percurso pré-determinado, com diversos obstáculos naturais e monitorada por postos de controle – os PCs. Um rally pode ser feito em carros, barcos, motos, bikes. Não importa o veículo.

Rally de regularidade

Quando os competidores tem que percorrer um determinado trecho (apresentado numa planilha) mantendo médias horárias determinadas. Não importa chegar antes, e sim chegar no horário estabelecido. A cada segundo adiantado ou atrasado, o competidor perde pontos.

Rally de velocidade

O próprio nome já diz: ganha quem for mais rápido. Acontecem duas modalidades durante as provas: especiais e deslocamento. Nas especiais, que tem entre 60 e 250 km de extensão, são contados os tempos para classificação e os pilotos largam de 1 em 1 minuto. Nos deslocamentos há um horário máximo de chegada, cujo não cumprimento resulta em pesada penalidade de tempo.

A planilha – Um mapa de orientação para o percurso que foi pré-definido pela organização da prova. A planilha fica sob responsabilidade do navegador, que vai orientando o piloto sobre a direção a seguir, assim como perigos e médias de velocidade indicadas. Piloto e navegador precisam estar em constante sintonia e afinidade, pois do contrário podem ocorrer acidentes.

Os carros – Qualquer carro pode participar de um rally! Oops, não é bem assim. Vai depender do tipo de prova e do tipo de percurso. Normalmente os rallys de regularidade acontecem em trechos de asfalto ou de terra, mas sem muitas erosões ou buracos. É lógico que não dá para participar de um Rally dos Sertões com um carro baixo, mas em muitas provas qualquer carro passa, dependendo do “braço” do piloto. Obviamente, se você quer garantir os primeiros lugares, pense num 4×4.

O Mitsubishi Motorsports

A Mitsubishi organiza um dos principais rallys de regularidade do Brasil, que vem se tornando uma prova tradicional no país. A diferença é que apenas veículos da marca podem participar, o que acaba tornando a prova muito mais competitiva, pois todos teoricamente tem a mesma chance de vencer.

A etapa

Chego em São Paulo e tenho uma grata surpresa. Vou a bordo de uma Mitsubishi L-200 – 4X4, diesel, com 2 amortecedores em cada roda e que está especialmente preparada para provas de velocidade. Para completar, estarei com o piloto Guilherme Spinelli, um fera no assunto, como já falei, e que acabou me ensinando muito. Vamos acompanhar os carros que estão participando das provas, percorrendo exatamente o caminho determinado para a etapa.

Para minha surpresa acabei participando como navegadora, não como Zequinha, (pessoa que acompanha os participantes e que faz de tudo – de abrir porteiras a trocar os pneus). Foi show! O carro limpinho brilhava demais, parecendo não saber o que o esperava. Guilherme me ensina rapidamente como interpretar a planilha e estamos prontos para a largada. (será que vou conseguir orientar o campeão?) A preocupação bateu.

Uma planilha tem vários códigos e eu nunca tinha passado por esta experiência antes. E se eu errasse? Não foi difícil aprender, mas admito que em algumas sequências só mesmo com a experiência e precisão de Spinelli.

A corrida
A prova para nós começa quando o carro sobe a rampa e recebe a bandeirada de largada. Seguimos para a rodovia Anhanguera, em direção a Cajamar, retornando depois pela Castelo Branco, passando por Alphaville. Assim que entramos na estrada de terra zeramos o odômetro (aparelho usado para cronometragem) isso é necessário para acompanhar a planilha, que nos fornece as informações da rota, em função da distância percorrida. Na nossa cola, outra picape L-200 com o piloto Ulisses Bertholdo, que também levou o repórter Edson Gushiken da revista Automóvel Aventura. Tudo que imaginei antes da prova encontrei no caminho. Os buracos eram imensos, mais precisamente – crateras.

A meta era seguir a planilha e passar por todos os obstáculos que o local proporciona. Uma das partes mais emocionantes é quando o mapa indica que em seguida vamos passar por água. É muito emocionante. A mais ou menos 60 km/h o barro sobe por todo lado, deixando o carro lindo de tanto barro. A cada poça funda de lama, a picape ficava mais bonita e eu, cada vez mais, ia entrando no espírito de aventura deste esporte. Como estávamos num rally de regularidade, as estradas não estavam fechadas para outros carros, como acontece num rally de velocidade. Por causa disso, em alguns trechos é necessária extrema atenção, pois moradores podem estar usando as estradas. Pelo caminho muitas fazendas, natureza, animais e um rio totalmente poluído, infelizmente.

Seguindo a planilha, chegamos num trecho neutralizado, onde podíamos parar por 30 minutos. Como não estávamos participando da prova e sim acompanhando, continuamos o percurso. Bom, a velocidade corre nas veias. Em alguns trechos seguros, Guilherme acelerava mais e eu ficava imaginando como deve ser um rally de velocidade. De repente cruzamos com uma picape caída num barranco. O que conta nesta hora é a solidariedade. Foi necessário puxa-los com uma corda. Resgate da equipe feito, pilotos salvos, continuamos a prova.

A etapa chega ao final, após 5 horas</b> Voltamos ao asfalto (que conforto…) e seguimos em direção a poluição, digo, São Paulo, novamente. Encontramos com o restante dos competidores para acompanhar o resultado da prova, que só sai depois que todas as informações dos postos de controle forem computadas. A prova teve como vencedores na categoria Graduados, Luciano Cunha e Detlef Altwig. Na categoria Novatos ganharam Danilo Coimbra e Carlos Alberto. (piloto e navegador) Spinelli comenta que o momento está favorável para o esporte. As fábricas estão investindo e o Rally está crescendo no Brasil.

A Mitsubishi Motorsports acaba sendo um laboratório para pilotos e técnicos desenvolverem as técnicas de pilotagem e aprimorarem a mecânica da L-200 que é fabricada no Brasil. Spinelli vai estar participando das várias provas de rally do ano 2.000, principalmente o Rally dos Sertões que promete estar muito disputado. E eu, espero logo logo começar a participar competindo dos rallys de regularidade. Só que dessa vez quero ir como piloto. A aventura foi ótima. Fica aí uma dica para quem quer curtir a natureza e voar por estradas de terra…

Agradecimentos:

Bethy Cardoso – pela atenção e presteza
Guilherme Spinelli – Piloto – L200

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