A ação do sol e do calor na atividade física

Treinadores, atletas e organizadores costumam subestimar as ações do Sol e do calor em muitas competições e expedições. Essas ações devem ser evitadas ao máximo, pois são acumulativas e perigosas e podem causar queimaduras, desidratações graves e/ou hipertermia.

O corpo humano tem um mecanismo extremamente complexo de controle da sua temperatura, chamado Mecanismo Termorregulador. Ele envolve estruturas nervosas e químicas, incluindo receptores especiais de temperatura, glândulas e vasos sanguíneos, no cérebro, medula espinal e em várias outras regiões do corpo. Em 1885, Aaronsohn e Sachs descobriram que na profundidade do cérebro, mais especificamente no Hipotálamo, encontra-se o centro desse termostato.

Nossa temperatura interna (chamada “Central”) deve ser mantida rigorosamente entre 36,5ºC e 37ºC. Acima e abaixo desses limites, surgem disfunções orgânicas, às vezes com consequências trágicas. A Hipertermia é definida quando o corpo atinge altas temperaturas (acima de 41ºC), com risco de vida. Nessas situações o calor produzido pelo trabalho muscular, pelo Sol e por altas temperaturas ambientais ultrapassa a capacidade do corpo de dissipá-lo.

Na Terra já foram registrados 58º C em El Aziza, na Líbia, em 1992, e temperaturas de mais de 45º C são comuns na Austrália Central, em países do Golfo Pérsico e no Sudão. Curiosamente, o corpo humano pode sobreviver à exposição a temperaturas de 100º C por cerca de 15 minutos.

Suor e calor

O sangue leva a maior parte do calor corporal para a pele, de onde é dissipado para o meio externo por várias formas: Condução (contato direto com o ar ou roupas), Convecção (contato com líquidos como água e vento), Radiação (raios infravermelhos, que irradiam do corpo) e Evaporação (principalmente pela transpiração ou sudorese). A radiação é o principal meio de dissipação de calor no repouso, enquanto que no exercício, a transpiração elimina cerca de 80% do aquecimento gerado, daí sua importância.

A sudorese é fundamental para o controle térmico corporal. Mas para uma boa dissipação do calor, é essencial que o suor evapore da pele, e não simplesmente escorra por ela. Principalmente por isso foram desenvolvidas as roupas “transpiráveis”. A chamada Umidade Relativa do Ar, que mede basicamente a quantidade de água em forma de vapor existente na atmosfera, influi muito na evaporação do suor. Quanto maior a umidade relativa do ar, mais ficará limitada a evaporação do suor e a perda de calor.

Assim, atividades físicas intensas em ambientes como praias, florestas ou dias “úmidos” ou nublados são perigosas pelo risco de Hipertermia, popularmente conhecida como “Insolação” . Por outro lado, em ambientes quentes e desérticos, onde a Umidade Relativa do Ar é baixa (chegando a 10%), a sudorese profusa evapora rapidamente e o controle térmico torna-se melhor.

Ventos também favorecem o resfriamento corporal. Assim, ciclistas de alta performance, como os competidores do Tour de France, conseguem ao ar livre marcas melhores que as obtidas em competições dentro de velódromos.

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